Quando se olhou no espelho hoje, o que você enxergou? E se o espelho mostrasse seu estado emocional, qual imagem estaria refletida? Com esta reflexão proposta pela psicóloga Juliana Martinez Pieroni (@jupieroni.psi), entendemos mais sobre a relação entre alergia e os gatilhos emocionais. Saiba, nesta entrevista, como o autoconhecimento pode ajudar no tratamento médico e no controle das doenças, inclusive, alérgicas.
Mesmo com indicação do médico alergista, alguns pacientes ainda demonstram resistência à psicoterapia. Em sua opinião, por que isso ocorre?
Juliana Pieroni: O processo de psicoterapia nem sempre é fácil, costumo sempre falar que é um ATO DE CORAGEM, de “olhar para dentro de si mesmo” como se a pessoa estivesse olhando de frente para um espelho. Mas, assim como quando nós nos olhamos no espelho e nem sempre gostamos 100% da imagem refletida, o mesmo acontece “no nosso mundo interno”.
Nem sempre aceitamos nosso jeito de ser, nossos desafios, nossas dificuldades e existem pessoas, inclusive, que acabam culpando as outras ao seu redor pelos problemas que estão enfrentando na vida. Por outro lado, em um processo inverso, algumas pessoas se tornam muito autocríticas “são muito severas consigo mesmas, se culpabilizando até por problemas que não seus”.
Seja em qual dos extremos opostos aqui apresentados você se reconhece neste momento da sua vida, o fato é que existe um caminho que te ajudará a como aprender a equilibrar tudo isso, o caminho do autoconhecimento através da psicoterapia. Quando você inicia a psicoterapia você passa a se conhecer melhor (autoconhecimento), aprende a compreender e reconhecer suas necessidades, seus sentimentos e quando você passa a “viver melhor com você mesmo” automaticamente consegue também conviver melhor com as pessoas ao seu redor.
Gosto também de ressaltar que, além da psicoterapia ajudar o paciente a lidar melhor e compreender seus sofrimentos e dificuldades – especialmente na linha de tratamento que trabalho, a Psicologia Positiva –, encoraja também o paciente a descobrir seus talentos, seus potenciais, suas virtudes. Nesse processo, é possível que o paciente descubra aspectos saudáveis e positivos sobre si mesmo que desconhecia até então.
Assim, um pouco de resistência pode ser natural, até mesmo se for a primeira vez que você irá passar por um processo terapêutico. O que você não pode deixar é que esta resistência (medo) impeça você de se abrir para um processo terapêutico que irá trazer tantos benefícios para sua vida.
Quais são os benefícios esperados do acompanhamento psicológico aos pacientes que se encontram em tratamento médico?
Juliana Pieroni: Para um completo tratamento do paciente, uma abordagem multidisciplinar se faz necessária – especialmente a medicina e a psicologia –, pois o objetivo é tratar o paciente de forma integrada entre corpo e mente (emoções). O tratamento medicamentoso cuidará do alívio dos sintomas físicos, mas é igualmente importante o acompanhamento psicológico, para compreensão “das raízes emocionais” ou “gatilhos emocionais” da manifestação dos sintomas.
São diversos os benefícios que a pessoa pode sentir após iniciar um acompanhamento psicológico. Os benefícios envolvem melhorias tanto para sua vida intrapessoal (própria vida do paciente) como também para sua vida interpessoal (o relacionamento com as outras pessoas), ou seja, o paciente consegue viver melhor consigo mesmo. Além disso, consegue melhorar a convivência com as pessoas ao seu redor.
Dentre os diversos benefícios podemos citar: aumento do autoconhecimento; redução dos sintomas (de ansiedade ou depressão, por exemplo); melhora do bem-estar emocional/ psicológico; reconhecimento de seus sentimentos, potenciais e forças pessoais; desenvolvimento da inteligência emocional; autocontrole, ajudando, assim, o paciente a construir relacionamentos mais saudáveis em sua vida, melhorando o convívio com as pessoas através do desenvolvimento de habilidades socioemocionais (melhora do relacionamento interpessoal) e melhora no gerenciamento de conflitos.
O que são gatilhos emocionais e como eles podem interferir nas doenças alérgicas?
Juliana Pieroni: Resumidamente, gatilho emocional é quando nos referimos a alguma resposta mental que envolve emoções, pensamentos e comportamentos que estão conectados principalmente a experiências passadas, que nos fazem “reviver” uma memória passada seja ela positiva ou negativa. São diversos os gatilhos emocionais que podem contribuir para o surgimento de doenças alérgicas, mas, cientificamente, tem sido cada vez mais comprovada a forte relação entre ESTRESSE e doenças alérgicas.
Assim sendo, é fundamental que o paciente no processo psicoterapêutico aprenda a RECONHECER QUAIS SÃO SEUS GATILHOS emocionais fontes de seu ESTRESSE. Lembrando que: o que pode ser uma fonte de estresse para uma pessoa, não necessariamente é para outra. Por exemplo, existem pessoas que se sentem estressadas para conseguir manter uma rotina/organização diariamente e outras que preferem a organização e, então, para elas, a rotina é uma fonte de bem-estar. Assim, a psicoterapia proporcionará este autoconhecimento ao paciente, especialmente com doenças alérgicas a reconhecer os gatilhos emocionais de seu estresse, ajudando-as a lidar melhor com suas emoções e sua relação com quadros alérgicos.